VOCÊ GANHA MENOS QUE SEU COLEGA FAZENDO O MESMO TRABALHO? NÃO DESANIME, A LEI PODE ESTAR DO SEU LADO
- Fernando Polonia
- há 14 minutos
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Muita gente trabalha ao lado de um colega que faz exatamente a mesma coisa, mas recebe um salário maior no final do mês. Você sabia que isso pode ser considerado injustiça pela lei brasileira? Pois é, existe um direito chamado “equiparação salarial” que garante salário igual para quem faz trabalho igual. Mas atenção, porque não é qualquer situação que dá direito a isso.
A nossa lei trabalhista, conhecida como CLT, protege o trabalhador dessa desigualdade injusta. O princípio é simples: se duas pessoas fazem o mesmo serviço, com a mesma qualidade e quantidade, no mesmo lugar e para o mesmo patrão, elas devem ganhar o mesmo valor. Essa regra existe justamente para evitar que o empregador escolha quem vai ganhar mais ou menos sem um motivo justo.
Mas para você ter esse direito reconhecido na Justiça, algumas exigências precisam estar presentes ao mesmo tempo. Primeiro, o trabalho precisa ser realmente idêntico. Não basta ser parecido, tem que ser igual mesmo nas tarefas do dia a dia, na qualidade do que você entrega e na quantidade de serviço que você faz. Segundo, você e seu colega precisam trabalhar na mesma cidade ou na mesma filial da empresa. Terceiro, e isso é muito importante, a diferença de tempo que vocês dois exercem aquela função não pode passar de dois anos. Se o seu colega já está naquela posição há muito mais tempo, a lei entende que ele pode ganhar mais pela experiência.
Tem outro detalhe que pode mudar tudo: se a empresa tem um plano de cargos e salários oficial, daqueles aprovados em acordo coletivo e que é seguido direitinho, esse plano é que vai definir quanto cada um ganha. Nesse caso, mesmo fazendo o mesmo trabalho, os salários podem ser diferentes se o plano permitir isso de forma clara.
Vale destacar que não adianta você se comparar com alguém que já saiu da empresa há mais de dois anos, nem com funcionário de outra empresa, mesmo que seja do mesmo grupo ou ramo. A lei também não aceita comparação se um dos trabalhadores produz mais ou faz o serviço com mais perfeição técnica que o outro. Nesses casos, o salário diferente pode ser justificado.
Recentemente, em junho de 2025, os tribunais superiores confirmaram que as regras ficaram mais rígidas para o trabalhador. Facilidades que existiam antigamente foram canceladas, e agora vale o que está escrito na lei de forma bem direta. Isso significa que você precisa provar de maneira muito clara que o trabalho é exatamente igual, sem margem para dúvida.
Se você acredita que está sendo prejudicado e que o seu caso se encaixa em todas essas regras, o caminho é buscar seus direitos na Justiça do Trabalho. Mas fique atento: a responsabilidade de provar que o trabalho é idêntico é sua. Por isso, é fundamental juntar documentos, descrições de cargo, contracheques e ter testemunhas que conhecem de perto a rotina de trabalho de vocês dois.
Além disso, existem prazos que a lei estabelece, e se você demorar muito para agir pode perder o direito de reclamar. Por isso, o ideal é procurar um advogado especializado em direito do trabalho o quanto antes. Esse profissional vai analisar se o seu caso é realmente de equiparação salarial ou se pode ser outra situação parecida, como desvio de função, que tem regras diferentes.
Desigualdade salarial sem justificativa não é normal e nem legal. Saber seus direitos é o primeiro passo para não ser prejudicado injustamente no final do mês. Cada caso é único e precisa de análise específica, mas a informação correta pode fazer toda a diferença no seu bolso e na sua dignidade como trabalhador.




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