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A EMPRESA DISSE QUE A CULPA FOI DELE. MENTIRA.

  • Fernando Polonia
  • há 1 minuto
  • 2 min de leitura

Ele perdeu três dedos numa máquina. A empresa disse: foi descuido dele.

 

            Você já ouviu uma frase assim? Um colega se machuca no trabalho e, antes mesmo de saber o que aconteceu, todo mundo já decidiu de quem é a culpa: do próprio trabalhador. Ele que não prestou atenção. Ele que não usou o equipamento direito. Ele que foi descuidado.

 

            Na prática, quase nunca é assim tão simples. Na maioria das vezes, o acidente não acontece porque a pessoa foi imprudente num momento de distração. Ele acontece porque, antes disso, alguma coisa já estava errada.

 

            Pode ser uma máquina sem proteção. Pode ser uma jornada tão puxada que o corpo já não aguenta mais prestar atenção em nada. Pode ser a pressa para bater uma meta impossível ou a falta de treinamento para lidar com aquele equipamento específico. Às vezes é só o medo de reclamar de um risco, porque tem gente que acha que reclamar pode lhe custar o emprego.

 

            Perceba a diferença: quando a gente olha só para o trabalhador, o assunto acaba ali, numa desculpa fácil. Mas quando a gente olha para a empresa, para a forma como o trabalho foi organizado, aparecem perguntas incômodas. Por que essa máquina não tinha proteção? Por que ninguém treinou essa pessoa direito? Por que a meta era tão apertada que ninguém tinha tempo de fazer o serviço com segurança?

 

            A lei brasileira já entende isso. Quando alguém sofre um acidente de trabalho, a empresa tem o dever de avisar oficialmente o que aconteceu, no dia seguinte no máximo, ou na hora, se for uma morte. Se a empresa não fizer isso, o próprio trabalhador, a família, o médico ou o sindicato podem fazer esse aviso.

 

            E tem mais: quem se acidenta e fica afastado recebendo benefício tem direito de manter o emprego garantido por um ano depois de voltar a trabalhar. A empresa também é obrigada a continuar depositando o FGTS durante todo esse tempo de afastamento. São direitos que existem justamente porque a lei reconhece que a culpa, quase sempre, não é só do trabalhador.

 

            Em muitos casos, a empresa também pode ser obrigada a pagar uma indenização. Isso vale para o tratamento, para o sofrimento, para uma marca que ficou no corpo, e até para os planos de vida que a pessoa teve que abandonar depois do acidente. Não é sobre ficar rico às custas de um problema. É sobre reconhecer que alguém perdeu algo que não tem preço, e tentar, dentro do possível, reequilibrar essa balança.

 

            Se você trabalha, ou tem alguém da família que trabalha em condições arriscadas, vale a pena prestar atenção nisso. Cobrar treinamento. Cobrar equipamento de proteção que realmente funcione. Cobrar que máquinas antigas sejam consertadas ou trocadas. E, se um acidente acontecer, saber que existem direitos, e que a culpa não cai automaticamente sobre quem se machucou.

 

            Você já viu alguém ser culpado por um acidente que, no fundo, não foi só culpa dele?

 

            Se esse texto te fez pensar em alguém, compartilhe. A informação certa, na hora certa, pode ser o que falta para alguém não desistir dos seus direitos.

 

 
 
 

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